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Investimentos em medidas socioeducativas reduzem taxa de reincidência de atos infracionais em Sergipe

Durante internamento, jovens entre 12 e 21 anos, que cumprem medida socioeducativa nas cinco unidades administradas pelo Governo do Estado, participam de atividades de educação, esporte, cultura e lazer, desenvolvidas com o objetivo de buscar a ressocialização dos internos, bem como de combater a reincidência adolescentes infratores
10 de Janeiro de 2019 | 15:02

“Nós estamos tendo mais oportunidades aqui. De aprender coisas diferentes, de fazer coisas boas. As atividades que fazemos aqui contribuem para que a gente reflita sobre como podemos nos tornar pessoas melhores”. A declaração é do jovem D. M. S. G., de 18 anos, interno da Casa de Atendimento Socioeducativa Masculina (Casem), vinculada à Fundação Renascer, há um ano. Assim como ele, outros 284 jovens formam o grupo de adolescentes, de 12 a 21 anos, em situação de cumprimento de medidas socioeducativas em Sergipe, pelo fato de terem cometido atos infracionais.

Se no histórico da temática dos jovens infratores do estado já existiu algum cenário conflituoso, de ameaça às rebeliões ou atos indisciplinados, sobretudo dentro do Cenam - que já passou por período de superlotação -, hoje o cenário do sistema socioeducativo no estado é outro. Dados da Fundação Renascer apontam que a taxa de reincidência de atos infracionais cometidos por adolescentes após o cumprimento da medida socioeducativa é de 18%. A instituição avalia como positiva a taxa de reincidência e destaca as ações realizadas como principal fator deste resultado.

“A medida socioeducativa tem esse caráter pedagógico, então buscamos aplicá-la da melhor forma possível nas nossas unidades, sobretudo aqui no Casem, que foi criado para servir como referência em todo o Brasil. Aqui, eles possuem rotina, disciplina, atividades. Existe hora para tudo, e isso auxilia bastante na formação deles, na mudança no comportamento, porque o objetivo é fazer com que eles se tornem pessoas melhores ao saírem daqui, que não cometam mais crimes, então o caminho deve ser mesmo o da educação em todas as suas vertentes”, explicou o diretor da unidade, Rodrigo de Oliveira.

Em relação à entrada destes jovens no mercado de trabalho, o diretor ressalta uma parceria que está sendo firmada, junto à Prefeitura de Socorro, para a oferta de alguns cursos profissionalizantes. “A ideia é trazer para eles opções de estudos tanto nas áreas administrativas, como também da indústria, já que estamos inseridos aqui em Nossa Senhora do Socorro, um importante polo industrial do estado. A parceria está sendo firmada e em breve pretendemos iniciar as aulas”, complementou.

Os adolescentes internos contam com um projeto de ressocialização que busca trazer à tona a importância dos estudos, das atividades de arte, lazer, cultura e esporte, além de atividades ecumênicas. Tudo isso para que, quando retornem à liberdade, eles estejam estimulados a trilhar um caminho dentro da lei, com inserção no mercado de trabalho, na educação, no convívio familiar e, sobretudo, na sociedade.
 

Atividades
 

Semanalmente, os adolescentes internos contam com oficinas de pintura, artesanato, percussão, flauta doce, canto, violão, teatro, teclado, manutenção de computadores, hortaliças, capoeira, reciclagem, informática, além das atividades esportivas de futebol de salão, vôlei de praia e corrida, no caso dos jovens em situação de semiliberdade.

“É a segunda oficina que participo e estou gostando bastante. Frequento as aulas de teatro e acho que elas estão me ajudando em diversos aspectos. Muda um pouco o nosso jeito de pensar, de ver a vida. Também gosto das aulas de vôlei e de futebol”, afirmou o interno da Casem, F. J. S. C., de 17 anos.

Também nas unidades socioeducativas, são ministradas aulas escolares de turmas do Ensino Fundamental e Médio, além de turmas de reforço. Nesse caso, além da ocupação dos internos diante do período de internamento, a medida também proporciona a possibilidade dos internos prosseguirem com os estudos dentro das unidades, e fora, após o cumprimento da medida. 

Professor e oficineiro de Capoeira Angola, Alex Sandro Gomes da Silva falou sobre a importância do trabalho realizado junto aos jovens infratores, destacando a inserção da Arte-Educação no processo de evolução comportamental. “A capoeira é um importante instrumento de ressocialização, de interação. Aqui, eles conseguem enxergar o papel no qual estão inseridos, visualizam mudanças e evolução pessoal e refletem sobre as perspectivas para o futuro, para as escolhas que farão na vida”, ressaltou.

Em algumas atividades, a identificação com a prática é tão grande que eles acabam se aprofundando nos estudos e até mesmo realizando apresentações externas, como no caso do grupo de teatro, que já apresentou esquete no Museu da Gente Sergipana e em instituições privadas.

“Consigo ver muito progresso neles por meio das aulas de teatro e percebemos que a maior parte deles realmente se interessa pela atividade, a ponto de ter mais disciplina com o teatro, pedir dicas. Descobrimos diversos talentos por aqui e, com isso, percebemos que a oportunidade começa a transformar a vida deles”, disse o professor de Teatro, Márcio Santana.
 

Sobre a Casem
 

Localizada no Conjunto Marcos Freire I, em Nossa Senhora do Socorro, a Casem está em funcionamento desde novembro de 2018 e funciona hoje em sua capacidade máxima, atendendo 84 adolescentes acolhidos pela Fundação Renascer. Com um investimento de R$ 15.936.303,57,a unidade  foi desenvolvida respeitando todas as recomendações exigidas pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

A Fundação Renascer também administra outras unidades de cumprimento de medida socioeducativa além do Casem. São elas: Centro de Atendimento ao Menor (Cenam), Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip), Unidade Feminina (Unifem), e Casa São Francisco de Assis I e II (Case/Semiliberdade).

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